Mapeamento do ciclo menstrual, respeito e acolhimento

Na primeira parte da Série Útero: formas de cuidar falei sobre como o silenciar nos permite acessar as informações que precisamos receber e como dar atenção às nossas emoções pode nos ajudar a processar e liberar energia estagnada no útero. Se você perdeu esse conteúdo, ele está disponível neste link.


Hoje, vou tratar da questão de mapeamento do ciclo menstrual e o processo de se respeitar e acolher.


mapeamento do ciclo menstrual

Como cuidar da saúde do nosso útero?


3. Mapeando o ciclo menstrual


A terceira possibilidade que listei como parte dos cuidados com o útero foi o mapeamento do ciclo menstrual. Esse registro nos permite ter acesso aos nossos ritmos, necessidades e desejos. A partir de nossas anotações, veremos, por exemplo, que há padrões que se repetem em certas épocas do ciclo e esses dados nos trarão um conhecimento mais profundo de nós mesmas.


O ideal é que anotemos alguns dados básicos, como dia do ciclo e fase da lua, e algumas informações adicionais dos nossos estados físicos e emocionais, como, por exemplo, nível de energia, intensidade do fluxo e presença ou ausência de muco cervical, emoções, sonhos e ideias.


Atualmente, há uma ampla variedade de opções de diários desenvolvidos por mulheres para nos auxiliar a fazer esse trabalho sobre nós mesmas. No livro Seu Sangue é Ouro – despertando para a sabedoria da menstruação, Dra. Lara Owen discorre sobre essa prática:


“Fazer isso pode realmente auxiliá-la a se conhecer mais, e, então, você estará em uma melhor posição para honrar seu corpo e seus ciclos. Aprenda a identificar seus condicionamentos e então os questione.
Observe e registre os momentos de conflito que surgiram entre seu próprio ritmo e as demandas do mundo a seu redor. Como você lida com elas? Há maneiras criativas de lidar com os conflitos aparentes, que fazem com que todos se sintam melhor, em vez de simplesmente satisfazer os outros e se sentir negligenciada, ou vice-versa?
Menstruar com consciência é uma forma maravilhosa de examinar as maneiras como você esquece de si mesma e passa por cima de si mesma em favor dos outros ou em favor da manutenção do status quo. Escreva o que você observa de seu processo, para que você possa trabalhar nele mês a mês.” (p. 148)

Caso queira ler a sessão inteira, é o subtítulo Diário de tempo de lua, no Capítulo 8, Aprofundando rituais, práticas e meditações.


4. Se respeitando e acolhendo


A quarta maneira de cuidar da saúde do útero que enumerei lá no primeiro artigo desta série sobre o útero é se respeitando e se acolhendo. O momento mais necessário e propício para nos resguardarmos, ouvir nosso ritmo interno e atender às nossas necessidades físicas, psíquicas e emocionais, é durante o período menstrual.


Nossa sociedade, que marcadamente ressalta a energia masculina, tende a rechaçar e desvalorizar aspectos da energia feminina como o silêncio, o ócio, a retração. Por isso, há décadas, temos nos desconectado dos nossos ciclos, tanto externos como internos. A Dra. Lara Owen evidencia no livro Seu Sangue é Ouro:


“Grande parte da força psíquica das mulheres está ligada aos ciclos de seus corpos, e, se ignoramos esse período e deixamos de reconhecer seu enorme valor, acabaremos perdendo contato com a riqueza da experiência feminina.” (p.87).
“As mulheres são doadoras, mas para darem, têm de receber. Primeiro isso acontece por meio dessa purificação e esvaziamento, e, depois, pela renovação de sua conexão com a fonte. Essa é a função da menstruação.” (p.104).

Mas, para que esse ciclo de fato possa acontecer, precisamos nos recolher.


“A menstruação pode ser um período profundo de aterramento e centramento, no qual a mulher é naturalmente colocada em contato direto com seu centro de gravidade – seu útero. Por isso, há, na verdade, uma capacidade maior de quietude nesse período – para ouvir, para receber a mensagem do cosmos. Não conseguimos nos conscientizar do conhecimento que está disponível para nós durante a menstruação se estamos correndo para cumprir as exigências externas do nosso cotidiano.
Sentar-se quieta e estar centrada são pré-requisitos, em todas as tradições espirituais, para o desenvolvimento da sabedoria. A menstruação é uma ocasião natural para as mulheres meditarem e entrarem em contato com o divino – interna e externamente. Quando o corpo está em repouso, a mente também se aquieta... e então a sabedoria espiritual que existe em um nível mais profundo de consciência fica liberada para vir à superfície de nosso conhecimento.” (p.113).

Logo, abra espaço em sua vida para esses momentos de retração e recolhimento, momentos que irão oportunizar que as sementes dormentes em seu interior possam de fato se desenvolver e florescer.


Seguimos falando sobre como cuidar do nosso útero nos próximos artigos.


Até lá!

Abraço,

Josi Tibursky